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sexta-feira, 17 de junho de 2022

QUER NAMORAR COMIGO... ?

    Nossa, que pergunta estranha, parece em desuso, parece que ficou lá atrás, em um tempo que verdadeiramente, não volta mais.

    Parece que ficou naquele tempo de escola, quando a coragem para ir ao cinema e encontrar-se com a menina mais bonita da escola ( ao menos aos olhos do apaixonado ), era um evento que corações fracos não aguentariam.

   Era uma época de aprender na raça, sem tutorial.

    Aqueles momentos esperando em frente ao cinema, o medo de levar um "bolo", ver os pais deixando a menina e as amigas ali na calçada, e você de repente quase morrendo engasgado com aquela bala assassina (soft), brincadeira, mas que uma caixa de Mentex era devorada rapidinho na ansiedade ah... isso era.

    Sentar ao lado durante o filme era algo apoteótico, você não sabia se via o filme, se olhava para ela, se oferecia bala, se pegava na mão, se conversava (porque poderia atrapalhar o filme), eita desespero dos 12... 13 anos em uma época de uns poucos canais na tv.

    E as "brincadeiras" na casa de algum amigo, aquelas festinhas dançantes na garagem, alí na hora da música lenta, separávamos os homens dos meninos, quem teria aquela coragem equivalente a saltar na Normandia no dia D, atravessando aqueles poucos metros e convidando uma das meninas para dançar.

    Quem tinha essa coragem, ficava famoso da noite para o dia... era "o cara", no dia seguinte ao acordar teria aproximadamente 1,80m e não mais 1,20m.

   Mas se levasse um "toco" (modernizando a linguagem) tomava aquele porre de Guaraná Champagne (putz... nem tem mais isso no rótulo), que com muita sorte algum amigo teria batizado com aquele run de minigarrafinhas que pegou na coleção do pai. 

   Era uma época simples, de coisas simples, diversões simples (tá, algumas coisas eu ainda imagino que deram certo devido a sorte, aquelas peripécias que ninguém contava em casa... nunca... jamais... ), sempre tem aquele dia de pensar... "nossa, como sobrevivemos a adolescência ?

   E aí tinha a famigerada festa junina, você fugia dos caras da 8ª série para não ser pego e ficar a festa toda na cadeia, tá certo que eu, modéstia à parte era meio Steve MacQueen, e sempre escapava, ou arrumava uma encrenca, mas no final tudo dava certo.

   E passava a menina do correio elegante, aquela cesta e você alí com seus amigos esperando parar no grupinho, e claro, viajando na maionese e em todo vinho quente e quentão que conseguimos tomar escondido, todos ansiosos para ver quem receberia algo.

   Cri cri cri...     

   Tempo bom, de sair com os amigos de bicicleta pela cidade, participar dos jogos da primavera ( quando escolas de todo estado compareciam), eu ainda dava sorte porque tinha amizade com o pessoal mais velho, e acabava fazendo amizade com as meninas que desfilavam na disputa de Rainha dos Jogos da Primavera, para os outros da minha idade eu era quase um Hugh Hefner (rindo alto aquí).
                                              Eu e meu cabelo... fácil.

   E aí vem a primeira namorada, e olha...  perguntar "quer namorar comigo ?" fazia engolir seco, parecia que estava engasgando com uma bola de tênis, suava da sola dos pés a nuca!
   Por sorte, a menina na época já havia falado para uma amiga em comum que queria (meio caminho andado, só faltava chegar na beiradinha e pular), e era aquele evento, de repente você não tinha mais 13 anos... era um "veterano", entrava no roll de estudantes descolados, isso lá em 1983... 1984, era como sair na capa da revista como um dos caras mais sexys do planeta (rindo alto aquí de novo... mas era bem esse o sentimento), você passava e ouvia... "ele namora", isso era quase como ouvir... "ele é maior de idade".  

     E assim, amores iam e vinham, mas era simples, não era "pegação", e no fundo, nem ficávamos tão preocupados com isso, aqueles amigos parceiros de academia na adolescência, os bailes de carnaval (ahhhh os bailes de carnaval, com minha camisa florida, pulando na piscina no baile pré carnaval, depois fugindo dos seguranças do clube para não ser suspenso e poder pular carnaval depois... ), Baile da primavera, Baile da Arara Vermelha, Baile do Azul e Branco, Baile do Hawai... no interior o que não faltava era baile.


    Depois hora de comparecer a junta militar e alistar-se... novos amigos, irmãos (que estão espalhados mundo afora, e pelo interior... abraço Gallo), amizades que trago até hoje, forjada nos exercícios realizados alí no páteo no asfalto quente, na marcha, no calo deixado pelo fuzil apoiado na clavícula, muita risada, tempo de sangue, suor e lágrimas.

   Decada de 80... tempo bom, músicas boas, aliás...  difícil encontrar atualmente algo com aquela qualidade.

   Shows que eu fui sem preocupação alguma, mesmo com 15... 16 anos (Sting, Ultraje a Rigor, Paralamas do Sucesso, Made in Brazil, Korzus... dentre outros), lembro de um show em sampa, 1989, Parque Antarctica, show do A-ha, fui com um amigo que considero irmão (abraço Enrico), e que hoje vive na Holanda, viajamos sem pedir autorização no quartel, fomos para sampa, assistimos o show e voltamos, ainda na época minha irmã e uma amiga dela foram junto.

   E aquelas presepadas do tipo... "vamos lá que ela disse que só vai se eu levar um amigo, porque ela tem uma amiga...", que você só descobriria quem era na hora (literalmente o encontro as cegas).

  Brincávamos com pólvora quando eramos crianças(nem me perguntem, mas comprávamos numa boa e na quantidade que quiséssemos), nos bailes do clube comprávamos martinis e cerveja numa boa mesmo sendo menores de idade, eletrônica, radio amador, brigas de turma, sem turma, comer lanche de madrugada naqueles carrinhos que faziam hamburger, não havia o volume de informações que essa molecada tem hoje, e sobrevivemos à isso.

  Nossa... lembrei do meu primeiro porre.

  Eu tinha uns... 14 anos, cerveja e menta verde... já me embrulhou tudo aquí só de pensar, só sei que cheguei em casa, não coseguia abrir a porta, devia ser mais de 4 horas da manhã, final de baile, lembro que meu pai abriu a porta, olhou pra mim e perguntou... "você bebeu é ?".
  Só lembro que botei tudo pra fora... e no pé dele!
  Estava tão passado já, que entrei e fui dormir, nem ouvi o sermão... só a pergunta "o quê é isso ?", lembro de ter dito... "acho que é uma fanta quente que me fez mal...", e ele respondendo (enquanto eu ia pra cama) "Fanta? Verde? Com cheiro de menta? Tá pensando que eu não conheço?"

   Sobrevivi...  .

   Tanta coisa que ficou lá atrás e aquí... dentro.

    Meus avós, minha bisavó, tios e tias, primos e primas, minha mãe (capaz de segurar barras e broncas que fariam o Capitão Nascimento querer mudar de sexo por não ter metade da coragem e abnegação dela), meu pai...   meus irmãos.

    Engraçado como a vida chega até onde estamos, ainda que pareça que ela ficou lá atrás.

   Ela nos alcança.

    E de tempos em tempos sentimos aqueles medos e inseguranças, equivalentes a coragem que era necessária para atravessar a garagem em uns poucos passos, e perguntar... "quer dançar ?", ou então o auge da ausência de medo diante de casamatas, campo minado, arame farpado, tiro pra todo lado, olhares fuzilantes e tatear no escuro buscando o branco dos olhos para perguntar... quer namorar comigo ? 

   Outros tempos. (quem sabe ainda despejo aquí mais algumas lembranças)

sábado, 21 de janeiro de 2012

PESSOAS FÚTEIS...

      Futilidade...   ser fútil...    o que é na vida real (fugindo do dicionário).

     O homem fútil.

     O homem fútil apega-se as coisas materiais e as coloca em primeiro plano sempre, são bens materiais, status e depois disso vem as pessoas, mesmo as "amadas"(?),e fica a pergunta, esta pessoa realmente ama alguém?
    O homem fútil está sempre impecável (não que seja errado claro), faz questão de frequentar sempre os lugares da moda, troca amigos e reuniões familiares por locais onde possa ser visto, ver já não tem tanta importância, afinal uma das características da futilidade é o narcisismo exacerbado. Ou seja o "eu" em primeiro lugar mesmo quando não seja esta a questão.

    O homem fútil compartilha suas "experiências" com o sexo oposto com os amigos, ou seja ele sai com ela e mesmo que nada aconteça a noite será digna da revisão do kama sutra, para o homem infelizmente é a manutenção da fama de "garanhão", de "conquistador", e para a mulher... bem vocês mulheres sabem.  Quando digo "infelizmente", quero dizer que é a maior ferramenta de manutenção da imaturidade, além claro, de ser uma falta de respeito com alguém que dividiu a intimidade com você. ( e no final vale para ambos em alguns  casos)

     É o caso clássico da "quantidade e não qualidade", no tocante a relacionamento não há possibilidade de figurar como algo correlato, ou próximo, são antagônicos mesmo ,quando a quantidade vem em primeiro lugar. 

    O homem fútil busca...

    ...a mulher fútil.

    A mulher fútil, tanto quanto o homem, vive de aparências ( mas aqui deixo um comentário, a ditadura da beleza as atinge em cheio, é mais cruel com elas, mas ainda assim algumas sabem equilibrar isso, enquanto outras...) e julga as outras mas esquece que pode também estar sendo julgada. 
    
     São fáceis de reconhecer, usam discursos prontos, sempre alegam que são para "casar" mas não abrem mão de aventuras, deixam sempre claros os pontos que querem que sejam elogiados, vão do discurso conservador ao moderno em segundos, da mulher "caseira", a que não vê problema em ser "livre" e moderna no quesito relacionamento, aproveitam cada segundo durante o tempo que o encanto funciona, mas esquecem que, o que chama a atenção agora... em breve... acaba. Geralmente (em 80% dos casos) fazem o uso da aparência, e como eu sempre digo,a aparência vai embora junto com o encanto, e aí... ?

     Para a mulher fútil, geralmente as outras estão sempre abaixo dela (sempre tem aquele veneno), e ainda que esta não seja a realidade ela é capaz de ver a situação assim, como se fosse uma paranóia, uma espécie de fuga.
  Se alguém sai com o "ex" dela, certamente é alguém que não presta, que apareceu para "oferecer-se", enfim, a manutenção de sua lembrança vale o barraco.

   

  E alguém tem coragem de dizer que nunca conheceu alguém assim? (um amigo ou amiga... ou a pessoa ao seu lado? Disfarce e olhe...)
(risos)


  No final elas buscam os homens fúteis, elas ficam encantadas com eles, mas depois quando a "barganha" acaba, sobram aquelas postagens... "não deu valor perdeu", "a fila anda", "fui ser feliz e já volto",e a derradeira choradeira por querer um amor de verdade.

     E aí entram os "reis do camarote" endeusados por alguns "baba ovo", e cobiçados pelas rainhas da futilidade.
     Sim... futilidade, e me desculpem a franqueza, mas todos ficam chocados com um sujeito que diz em uma entrevista..." basta ter camarote e um combo que a mulherada vem..." quando deveriam ficar chocados por existirem mesmo mulheres que se prestam a este papel.
       E são as mesmas que depois tentarão posar de castas e feitas para casar... e que olharão de maneira diferente, para aqueles que não tem camarote ( outrora esnobados ), mas que podem lhes trazer...  dignidade.
       Triste mas uma dura realidade que alimenta machismos,e a manutenção de desta ditadura contra as mulheres.
  
   E algumas querem que este relacionamento seja o... certo.      

  Mas, se já começou errado, tem como dar certo?


   Mas ainda bem que existem (ainda que raros)...

  ...homens e mulheres de verdade, que não brincam ou aderem a modismos quando o assunto é relacionamento, um homem de verdade não torna-se mais um na arquibancada de quem assiste a ditadura da beleza torturando as mulheres,e a mulher de verdade não preocupa-se com as futilidades que citei anteriormente, claro quer alguém que se cuida, mas entende que o interior é que vai acompanha-la pelo resto da vida se for o caso. ( vale para ambos)

  Homens e mulheres de verdade destacam-se pela maturidade,e isso percebe-se quando estes sabem olhar além da superfície...    é o que a pessoa realmente quer, não o que a sociedade espera que conta. (mas até lá muita gente acaba com o filme... "queimado" para ser politicamente correto,  e aí ?)




                    Relembrando... outros textos.




                     "  
Buscar a pessoa certa e encontrar a errada é mais fácil do que se imagina, afinal, a pessoa errada também procura a certa, e aí... dois procurando o mesmo rumo andando em círculos e muitas vêzes sem perceber o óbvio.
                            Não procure a pessoa certa ou a errada, olhe com os olhos de quem quer realmente uma pessoa para conviver e dividir momentos bons e ruins, e não com os olhos de quem busca o que os outros esperam, ou  aquele que simplesmente não passe da superfície". (T.Marques)



                      
 "A mulher perfeita não se faz perfeita, ela é em sua essência e simplicidade, dona de uma beleza que pode não saltar aos olhos, mas que com certeza aguça e provoca os sentidos, da brejeira e simples menina do interior, as mulheres da cidade grande, "gatas" de praia, não importa, a mulher de verdade se sobressai na multidão, não é uma roupa, um perfume, um corpo apenas, é o conjunto da obra, de uma obra de arte.
Como diria Michellangelo referindo-se à um bloco de mármore bruto, "...a obra de arte está aí, é só retirar o excesso..." resumindo, a mulher de verdade vem sem os excessos". (T.Marques)


   "A experiência é perceptível quando se admira o conjunto da obra, e  a maturidade quando se vê além do obvio, quando se enxerga a beleza que vem de dentro e que se faz notar do lado de fora... o que torna mesmo o mais comum dos seres simplesmente magnético" (T.marques)


   "O caráter é o traço mais sútil da beleza interior, e a vaidade o mais explícito da superficialidade" (Téo Marques)



                       "  A mulher de verdade, assusta os menos preparados com a sua independência, sua firmeza de caráter e opinião, ela não se deixa levar por modismos quando o assunto é o relacionamento". (T.Marques)

    Tudo tem sua hora, seu tempo, seu momento... deixe acontecer naturalmente...      a única coisa que dura menos do que a aparência  é a paciência com alguém... fútil.